Song for the Mute x adidas: A estética do imperfeito

A Song for the Mute é daquelas marcas que construíram uma identidade muito própria dentro da moda contemporânea. Desde o início, a label australiana trabalha roupa de uma forma quase tátil. Os tecidos aparecem lavados, amassados, desbotados, sempre com um aspecto vivido que acabou virando assinatura da marca. Existe um cuidado muito grande com matéria-prima, modelagem e acabamento, mas tudo acontece de forma menos óbvia, distante daquela estética extremamente polida que dominou parte do streetwear minimalista nos últimos anos.


Criada em 2010, em Sydney, por Melvin Tanaya e Lyna Ty, a Song for the Mute nasceu a partir de referências bastante pessoais. Melvin estudou design de moda e sempre teve interesse por alfaiataria, uniformes antigos e roupas utilitárias. Já Lyna trouxe um olhar mais ligado à imagem e direção criativa. Juntos, desenvolveram uma linguagem que mistura sportswear, workwear e luxury fashion sem parecer presa a nenhum desses universos.


As coleções da marca costumam carregar referências de fotografia analógica, objetos antigos, mobiliário, cinema e vestimentas tradicionais asiáticas. Muitas peças parecem ter passado pelo tempo antes mesmo de chegarem às lojas. Os acabamentos irregulares, as lavagens e os tons mais fechados ajudam a criar essa sensação.

Com o passar dos anos, a Song for the Mute deixou de ocupar apenas um espaço nichado da moda australiana e passou a aparecer no radar de quem acompanha marcas que trabalham design de forma mais autoral. Hoje, a label é conhecida justamente por conseguir transformar peças casuais em algo mais refinado sem perder a naturalidade.

A parceria com a adidas começou antes da atual onda de collabs mais conceituais da marca alemã. Desde os primeiros lançamentos, a relação entre as duas funcionou de maneira muito orgânica. A Song for the Mute sempre trouxe um olhar mais sensível para os arquivos esportivos da adidas, reinterpretando silhuetas clássicas através de novos materiais, volumes e texturas.

Ao longo dessa trajetória, a colaboração passou por modelos como Superstar, Campus, Shadowturf e Country OG. Mesmo mudando as propostas a cada coleção, existe uma continuidade estética muito clara entre todos os capítulos da parceria.

Na SFTM x adidas 007, isso aparece de maneira ainda mais madura. A coleção trabalha shapes mais amplos, materiais encorpados e uma cartela de cores marcada por tons terrosos, off-white, azul desbotado e preto lavado. As peças carregam uma sensação vintage, mas sem cair em nostalgia literal.

Os calçados seguem como destaque da coleção. O SFTM-008 Tokyo revisita uma silhueta slim da adidas através de sobreposições de suede, nylon texturizado e painéis irregulares. Já o SFTM-009 Samba Freizeit leva o Samba para um território mais robusto, com sola pesada, couro encorpado e visual que mistura referências esportivas e utilitárias.

Aqui na Guadalupe, a coleção chega completa, trazendo jaquetas, camisetas, manga longa, shorts, calças e todos os modelos de footwear da colaboração. O apparel acompanha a estética já característica da Song for the Mute, com modelagens mais amplas, tons lavados e materiais que reforçam essa aparência naturalmente vivida presente nas coleções da marca australiana. Enquanto isso, os calçados seguem reinterpretando arquivos clássicos da adidas através de novas proporções, texturas e acabamentos, mantendo a mistura entre sportswear e moda contemporânea que define a parceria entre as duas marcas.

A coleção adidas x SFTM 007 chega na Guadalupe na sexta-feira, dia 15/05.

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