Puma x Daniëlle Cathari
Daniëlle Cathari construiu sua carreira longe de movimentos óbvios. Seu trabalho nasce do encontro entre alfaiataria, sportswear e funcionalidade cotidiana, sempre com um olhar atento às proporções e ao uso real da roupa. A Puma, por outro lado, é uma marca que atravessa décadas justamente por saber quando olhar para o próprio arquivo e quando atualizá-lo. A colaboração entre os dois nomes surge desse ponto de contato: roupas e produtos pensados para o corpo em movimento, mas com leitura contemporânea.
Formada pela Gerrit Rietveld Academie, em Amsterdã, Daniëlle desenvolveu uma linguagem própria a partir de peças essenciais do guarda-roupa. Calças, jaquetas, blazers e conjuntos esportivos aparecem com volumes deslocados, cortes precisos e soluções práticas. Seu interesse nunca esteve no espetáculo, mas no ajuste fino. Como a peça veste, como acompanha o corpo ao longo do dia, como pode ser usada de diferentes formas sem perder identidade.

Suas referências dialogam com arquitetura, design e cultura esportiva, mas sempre filtradas por uma estética limpa e funcional. Existe rigor, mas também leveza. É esse equilíbrio que faz seu trabalho conversar com uma geração que busca conforto, sofisticação e coerência, sem excesso de discurso.


As colaborações ajudam a entender esse percurso. A parceria com a adidas Originals foi um marco ao aplicar esse olhar sobre o sportswear clássico, reposicionando silhuetas conhecidas com novos códigos de uso. Com a Puma, esse raciocínio se mantém, agora ancorado em modelos que já fazem parte do imaginário urbano da marca.




Na colaboração atual, Daniëlle escolhe o Suede e o Speedcat não pelo óbvio, mas pelo que cada modelo representa. O Suede Fuzzy “Mars Red” ganha um cabedal mais texturizado, quase felpudo, que altera a leitura do clássico sem descaracterizá-lo. A superfície passa a ter protagonismo, trazendo profundidade visual e uma sensação mais orgânica ao toque.
Já o Speedcat Washed “Pistachio Green” trabalha a ideia de desgaste controlado. O acabamento lavado suaviza a silhueta originalmente ligada ao automobilismo e aproxima o modelo do cotidiano, enquanto a cor diluída reforça essa transição do esportivo para o urbano. São escolhas de material e tratamento que falam de tempo e uso, não de impacto imediato.



Os modelos já estão disponíveis na Guadalupe, dentro de uma curadoria que entende o sneaker como parte de um repertório cultural, e não apenas como lançamento da estação.


