ASICS x Issey Miyake: o encontro entre corpo, cultura e performance
A ASICS inicia mais um capítulo de suas colaborações olhando para aquilo que sempre foi central em sua trajetória: o corpo em movimento e suas origens japonesas. Não é casual que a marca tenha construído, ao longo dos anos, parcerias consistentes com criadores asiáticos. Existe ali um alinhamento de valores, onde design, funcionalidade e identidade cultural caminham juntos. É nesse território que nasce a colaboração com Issey Miyake.
Issey Miyake foi um dos designers mais importantes do século XX justamente por deslocar o olhar da moda. Nascido em Hiroshima, em 1938, sobreviveu à bomba atômica ainda criança, experiência que moldou sua relação com o tempo, o corpo e a criação. Após estudar design gráfico no Japão e trabalhar em Paris com nomes da alta-costura, Miyake percebeu que seu interesse não estava em perpetuar códigos europeus, mas em construir uma linguagem própria. Em 1970, funda seu estúdio em Tóquio e passa a investigar a roupa como extensão do corpo, não como imposição estética.

Sua abordagem sempre foi guiada pela ideia de liberdade. Ao invés de silhuetas rígidas, Miyake propôs roupas que acompanham o movimento, respeitam diferentes anatomias e atravessam o cotidiano com naturalidade.




O desenvolvimento dos plissados industriais, que mais tarde dariam origem ao Pleats Please, redefiniu o que entendemos como moda funcional. Peças leves, duráveis, pensadas para o uso real, sem abrir mão de conceito.
A marca Issey Miyake se consolidou como um dos maiores polos de pesquisa da moda contemporânea. Projetos como o A-POC anteciparam discussões sobre processo, desperdício e produção contínua muito antes de esses temas se tornarem discurso recorrente na indústria. Mais do que criar produtos, o estúdio sempre operou como um laboratório, onde tecnologia, engenharia têxtil e cultura visual se encontram.

Falar de Issey Miyake hoje também passa por reconhecer o momento cultural que vivemos. A cultura asiática ocupa um espaço cada vez mais central no imaginário global, conectando pessoas através da moda, da arte, do design e da música. Mas esse destaque carrega uma dimensão política importante. Por décadas, criadores asiáticos foram marginalizados ou reduzidos a estereótipos. Ver esses nomes em evidência é também um gesto de reparação simbólica. A moda, enquanto linguagem cultural, participa ativamente dessas disputas de visibilidade e reconhecimento.




Dentro desse contexto, a ASICS surge como uma parceira quase inevitável. Fundada no Japão em 1949, a marca construiu sua identidade a partir da relação entre corpo, mente e movimento, sintetizada no lema Anima Sana In Corpore Sano. Assim como Miyake, a ASICS entende o design como ferramenta para melhorar a experiência do corpo no espaço.
Essa convergência se materializa no modelo HYPER TAPING. Visualmente, o tênis traduz de forma clara o conceito que o sustenta. As faixas aplicadas sobre o cabedal fazem referência direta às técnicas de taping esportivo, utilizadas para suporte muscular. Elas não aparecem como mero detalhe gráfico, mas como estrutura. O desenho acompanha a anatomia do pé, criando zonas de compressão, sustentação e flexibilidade.
Nas imagens, isso fica evidente. O uso de cores contrastantes em algumas versões reforça a leitura funcional do design, quase como um mapeamento corporal. Já as versões mais neutras destacam a construção e os materiais, aproximando o modelo de um objeto de design, onde forma e função coexistem de maneira equilibrada. O tênis se molda ao movimento, dialogando diretamente com a filosofia de Issey Miyake de vestir o corpo em ação.




Mais do que uma colaboração estética, ASICS x Issey Miyake propõe uma reflexão sobre como pensamos o design de calçados. O HYPER TAPING nasce da observação do corpo, não de tendências. É um projeto que transita entre moda, performance e pesquisa, mantendo coerência com o legado de ambos.


O modelo chega em breve à Guadalupe Store, que historicamente abre espaço para colaborações relevantes, narrativas emergentes e marcas que entendem moda como cultura.


